
Ocorreu-me hoje refletir a respeito da história do Ceará. Os motivos: a) minhas recentes idas ao Passeio Público para participar de um projeto musical que lá ocorre aos sábados e b) a audição da música abaixo, de Ednardo, há muito esquecida em minha memória. A reflexão: são minoria entre nós aqueles que conhecem ou ouviram falar de Passeio Público, Bárbara de Alencar e Ednardo. Não vou convocar o discurso político, da alienação cultural ou dos (pré)conceitos para justificar tal fato, bem como minha falsa inclusão no rol dos privilegiados.
Interessa-me, em vez disso, comentar o quão prazerosa é a experiência de ir a esse belíssimo lugar de Fortaleza e pressentir a ilusória presença dessa figura histórica em cada muro do forte, em cada arvóre ou baobá, assim como no barulho das ondas e no cheiro do mar que ressuscita seus gritos e nos faz respirar um passado de luta, de vergonha e de sangue. E depois... ? Depois... ouvir a canção-poema de Ednardo, esse "ser cearense", que nos convida a eternizar esse eterno pesar...
Passeio Público (Ednardo)
Hoje ao passar pelos lados
Das brancas paredes, paredes do forte
Escuto ganidos, ganidos, ganidos, ganidos
Ganidos de morte
Vindos daquela janela
É Bárbara, tenho certeza
É Bárbara, sei que é ela
Que de dentro da fortaleza
Por seus filhos e irmãos
Joga gemidos, gemidos no ar
Que sonhos tão loucos, tão loucos, tão loucos
Tão loucos foi Bárbara sonhar?
Se deixe ficar por instantes
Na sombra desse baobá
Que virão fantasmas errantes
De sonhos eternos falar
Amigo que desces a rua
Não te assustes, não passes distante
Procura entender, entender
Entender o segredo
Desse peito sangrante
Muito lindos, tanto a sua reflexão quanto o poema...
ResponderExcluirQdo criança estive no local onde Bárbara de Alencar passou seus últimos dias de vida...lembro q fiquei assustada só em imaginar como uma pessoa poderia viver ali naquele lugar apertado...e sempre ao passar por ali recordo-me desse momento.Qto à praça tb já tive o prazer de sentir sua beleza, ainda q em passos apressados pelo medo de ser assaltada ou levada(rs), não deixei de olhá-la e admirá-la. Sobre Ednardo aprecio suas canções sempre tão convidativas à reflexão, pena q mal ouvimos tocar no rádio...bjus
ResponderExcluirDoutor e mestre Ricardo, saudações benedictianas! Belo texto (como sempre!)de sua pena limpa e afiada... Tenho sua mesma im-pressão; já estive muitas das vezes no Passeio. Há idos anos, lá funcionou feira de flores lindíssimas e cheirosas (havia orquídeas!). Alguns andarilhos que lá vão hoje em dia não são "flor-que-se-cheire"! Abraços. www.templarium.blogspot.com
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